Se eu pudesse ver as folhas da bananeira
Se eu pudesse ver os coqueiros
Se eu pudesse ver as estrelas que este céu não tem
Se eu pudesse saborear o sol...
E ouvir as cactáceas
Se eu pudesse alavancar o rio
E beber de suas entranhas...
Ah se eu pudesse correr os meus dedos sobre as águas do mar...
E se eu pudesse ainda borboletear
E gafanhotear ou abelhar sobre os verdes lençóis...
Ah se eu pudesse nonadear em paz!
Eu viraria infinito.
Mas as buzinas e os meus papéis,
fazem-me a árvore derrubada e o sabiá morto de stress.
Fazem de mim o revés,
e finjo que não sou assim:
Poeta de mim mesma,
começo do fim.
Cynara Barros – 2003.