21 de junho de 2011

Urbanidades


 

Se eu pudesse ver as folhas da bananeira
Se eu pudesse ver os coqueiros
Se eu pudesse ver as estrelas que este céu não tem
Se eu pudesse saborear o sol...

E ouvir as cactáceas

Se eu pudesse alavancar o rio
E beber de suas entranhas...

Ah se eu pudesse correr os meus dedos sobre as águas do mar...

E se eu pudesse ainda borboletear
E gafanhotear ou abelhar sobre os verdes lençóis...

Ah se eu pudesse nonadear em paz!

Eu viraria infinito.

Mas as buzinas e os meus papéis,
fazem-me a árvore derrubada e o sabiá morto de stress.
Fazem de mim o revés,
e finjo que não sou assim:
Poeta de mim mesma,
começo do fim.


Cynara Barros – 2003.

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